Sistema Cantareira continuará na Faixa de Atenção em novembro, apesar da recuperação dos reservatórios
<p>Manancial registra aumento no volume útil em outubro, mas permanece em nível que exige atenção e medidas de gestão para garantir a segurança hídrica da Grande São Paulo e das Bacias PCJ.</p>
<p>Por Amanda Carolina Tostes</p>
<p>O Sistema Cantareira, um dos principais responsáveis pelo abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo, continuará operando na Faixa 2. A decisão foi anunciada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), considerando o volume armazenado nos reservatórios ao final de outubro. Embora o sistema apresente sinais de recuperação, os indicadores ainda exigem cautela. No dia 30 de outubro, o Cantareira registrou 50,69% de seu volume útil, percentual superior aos 41,10% observados em 30 de setembro. O crescimento representa uma melhora importante na disponibilidade hídrica, mas não é suficiente para alterar a classificação operacional estabelecida pelas regras de gestão do manancial.</p>
<p>De acordo com a Resolução Conjunta nº 925, de 29 de maio de 2017, quando o volume útil do sistema permanece entre 40% e 60% no último dia útil do mês, a operação seguinte ocorre na Faixa 2. Dessa forma, em novembro, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) poderá retirar até 31 metros cúbicos de água por segundo (m³/s) do Sistema Cantareira, respeitando os limites estabelecidos pela regulamentação.</p>
<p><strong>Recuperação dos reservatórios ainda exige cautela</strong></p>
<p>O aumento do volume armazenado ao longo de outubro é um sinal positivo para a segurança hídrica paulista. Entretanto, a recuperação dos reservatórios precisa ser analisada considerando a regularidade das chuvas, as condições climáticas e a demanda crescente por água. A permanência na Faixa de Atenção demonstra que a gestão dos recursos hídricos precisa continuar sendo conduzida com planejamento e responsabilidade. Mesmo diante de uma melhora nos níveis de armazenamento, períodos de estiagem, temperaturas elevadas e alterações no regime de chuvas podem comprometer a recuperação dos mananciais. Como medida complementar, a Sabesp poderá utilizar, em novembro, a vazão eventualmente transposta do reservatório da Usina Hidrelétrica Jaguari, localizado na bacia do rio Paraíba do Sul, desde que respeitados os limites da outorga concedida. A medida busca contribuir para a manutenção do abastecimento e reduzir a pressão sobre o Sistema Cantareira.</p>
<p><strong>Abastecimento de milhões de pessoas depende da gestão da água</strong></p>
<p>A importância do Cantareira ultrapassa os limites da Região Metropolitana de São Paulo. O sistema abastece aproximadamente metade da população da região e também contribui para atender diferentes usos da água nas Bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), incluindo o abastecimento de Campinas e de outros municípios. Sua estrutura é formada por cinco reservatórios interligados: Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro. Juntos, possuem volume útil total de aproximadamente 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, o sistema também conta com a interligação entre a represa da Usina Hidrelétrica Jaguari, na bacia do Paraíba do Sul, e a represa Atibainha, ampliando as possibilidades de transferência de água e contribuindo para a segurança do abastecimento. Por sua dimensão e importância estratégica, o Cantareira representa um dos principais exemplos da necessidade de planejamento integrado dos recursos hídricos, especialmente em regiões densamente povoadas e sujeitas a períodos de escassez.</p>
<p><strong>Gestão compartilhada e monitoramento permanente</strong></p>
<p>A administração do Sistema Cantareira é realizada conjuntamente pela ANA e pela SP Águas, que acompanham diariamente os níveis dos reservatórios, as vazões e os volumes armazenados. Durante o período seco, entre 1º de junho e 30 de novembro de 2026, as solicitações de vazões destinadas às Bacias PCJ são encaminhadas pelos Comitês das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí à SP Águas. Esse modelo de gestão compartilhada busca equilibrar as necessidades de abastecimento público, atividades econômicas e demais usos da água, respeitando os limites estabelecidos para a operação do sistema. As regras atuais foram estruturadas após a grave crise hídrica enfrentada pelo estado de São Paulo em 2014 e 2015. A experiência daquele período evidenciou a importância de mecanismos permanentes de monitoramento, planejamento e controle das retiradas de água.</p>
<p><strong>Uso consciente da água é responsabilidade de todos</strong></p>
<p>Diante da permanência do Cantareira na Faixa de Atenção, a ANA e a SP Águas reforçam a necessidade de medidas para reduzir o consumo e as perdas de água nos sistemas de abastecimento. As recomendações também se estendem à população, aos setores produtivos, às indústrias, à agricultura e aos demais usuários dos recursos hídricos. Atitudes como evitar desperdícios, corrigir vazamentos, reduzir o tempo de banho, reaproveitar água sempre que possível e utilizar equipamentos mais eficientes são medidas que contribuem para preservar os reservatórios. Além das ações individuais, é fundamental que os municípios e as empresas responsáveis pelo abastecimento invistam na modernização das redes de distribuição, no controle de perdas e em estratégias de gestão da demanda. A segurança hídrica não depende apenas da quantidade de chuva, mas também da capacidade de planejar, armazenar, distribuir e utilizar a água de maneira eficiente.</p>
<p><strong>Segurança hídrica exige planejamento e compromisso ambiental</strong></p>
<p>A recuperação parcial do Sistema Cantareira em outubro representa um avanço, mas a permanência na Faixa de Atenção reforça que a situação ainda exige acompanhamento e responsabilidade. Em um cenário de mudanças climáticas, eventos extremos e alterações no regime de chuvas, proteger os mananciais e garantir a disponibilidade de água para as próximas gerações tornou-se um dos grandes desafios ambientais e sociais. Mais do que acompanhar os índices dos reservatórios, é necessário compreender que a água é um recurso essencial, limitado e indispensável à vida, à economia e ao desenvolvimento sustentável. O cenário do Cantareira deixa um alerta importante: a segurança hídrica precisa ser uma prioridade permanente, e não apenas uma preocupação nos períodos de estiagem. Preservar a água hoje é garantir qualidade de vida, equilíbrio ambiental e abastecimento para o futuro.</p>
<p>Fonte de dados: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas).</p>