Por Amanda Carolina Tostes
A COP30, realizada em Belém, entrou nesta quarta-feira (19) em uma nova fase de debates, marcada por discussões sobre agricultura sustentável, igualdade de gênero e segurança alimentar. Com agendas simultâneas em diversos pavilhões, o dia reuniu chefes de Estado, especialistas, movimentos sociais e lideranças indígenas, reforçando a importância de integrar justiça social e transição climática nas decisões globais.
Agricultura e segurança alimentar em foco
O tema central deste 19 de novembro foi a transformação dos sistemas alimentares. Governos, pesquisadores e representantes de comunidades rurais apresentaram propostas para reduzir emissões na agricultura, ampliar práticas regenerativas e fortalecer a resiliência de pequenos produtores frente às mudanças climáticas.
Um dos anúncios mais aguardados do dia foi o avanço da iniciativa RAIZ, voltada à recuperação de áreas degradadas e ao fortalecimento da agricultura familiar. O projeto promete impulsionar práticas de produção mais sustentáveis em países em desenvolvimento, com apoio técnico e financeiro internacional.
Especialistas alertaram para o impacto direto da crise climática na cadeia alimentar global, desde secas prolongadas até enchentes que comprometem a produção. A expectativa é que o texto final da COP30 inclua orientações mais concretas para enfrentar a insegurança alimentar, agravada nos últimos anos.
Dia de Gênero reúne autoridades e movimentos sociais
A quarta-feira também foi marcada pelo Dia de Gênero, com uma série de eventos liderados pela ministra das Mulheres, Márcia Lopes. Em debates de alto nível, representantes de governos, organizações internacionais e coletivos femininos ressaltaram que mulheres, especialmente indígenas, negras e rurais, estão entre as mais afetadas pelos impactos climáticos.
Os painéis destacaram a necessidade de ampliar a participação feminina nas negociações climáticas e assegurar recursos específicos para políticas de adaptação e mitigação voltadas a mulheres e meninas. A ministra enfatizou que “não existe justiça climática sem justiça de gênero”, reforçando que a equidade deve ser pilar da transição energética global.
À noite, a programação incluiu a plenária “Juventudes, Mulheres e Clima”, com a presença de ativistas de mais de 80 países.
Encontro entre Lula e Guterres movimenta a COP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retornou a Belém para um encontro estratégico com o secretário-geral da ONU, António Guterres. A reunião teve como foco a governança climática global, o financiamento para adaptação e a urgência de unir esforços para limitar o aquecimento a 1,5°C.
Guterres elogiou o protagonismo do Brasil na condução da COP30 e reforçou a necessidade de ampliar compromissos ambiciosos, principalmente em relação à eliminação gradual dos combustíveis fósseis, tema que se tornou central nas negociações desta edição.
Protestos e pressões indígenas marcam o dia
Fora dos salões principais, a COP30 também foi marcada por manifestações de povos indígenas. Lideranças protestaram contra iniciativas consideradas ameaças a territórios tradicionais, incluindo projetos de exploração de petróleo na Amazônia. Txai Suruí, uma das principais vozes indígenas no evento, afirmou que a COP30 “não pode ignorar que a Amazônia está próxima de um ponto de não retorno”. Ela destacou que os protestos são parte crucial da democracia climática e pressionam governos a tomar decisões que protejam vidas e territórios.
Juventude global segue mobilizada
Na Cidade das Juventudes, jovens de mais de 80 países continuaram protagonizando debates e oficinas. O movimento juvenil tem reforçado pautas como justiça climática, financiamento para adaptação e participação direta nos processos decisórios da ONU. Para muitos deles, a COP30 representa um momento decisivo para que líderes globais assumam compromissos concretos e imediatos.
Expectativas para os próximos dias
Com os debates avançando e negociações intensas nos bastidores, a COP30 se aproxima de um ponto crucial. Relatórios internos indicam que as próximas 48 horas serão determinantes para fechar acordos sobre agricultura, financiamento climático e transição energética. A expectativa é que o Brasil, como país anfitrião e liderança das negociações, consiga articular consensos entre grupos com interesses divergentes, especialmente no debate sobre a eliminação dos combustíveis fósseis.