• 23 de setembro de 2026
  • JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
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Cúpula do Clima: acelerar transição, financiar soluções e proteger pessoas

Governos, sociedade civil e setor privado participam de encontro na ONU para discutir transição energética, financiamento climático e cooperação internacional, diante dos impactos das mudanças climáticas em vidas, economias e direitos humanos. Nos últimos 11 anos, a Terra registrou as temperaturas mais altas da história e já ultrapassou temporariamente o limite de 1,5°C de aquecimento global definido no Acordo de Paris. As mudanças climáticas estão diretamente ligadas ao aumento da pobreza, da fome e da desigualdade. Em 2024, desastres provocaram 45,8 milhões de deslocamentos internos e os 55 países mais vulneráveis acumularam prejuízos de US$ 500 bilhões. Na Cúpula do Clima 2026, líderes debatem ações concretas para o enfrentamento desse problema mundial.


O marco dos 1,5°C
Entre 2023 e 2024, a média da temperatura anual chegou a 1,52°C acima dos níveis pré-industriais. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, OMM, o calor extremo é a maior causa de mortalidade entre todos os fenômenos meteorológicos extremos, com uma estimativa de 489 mil mortes por ano nas primeiras décadas do século 20. Secas, enchentes e tempestades deslocam mais de 20 milhões de pessoas anualmente, a principal causa de migração forçada em várias regiões. Mulheres e meninas são as mais afetadas, representando 4 em cada 5 deslocados e têm 14 vezes mais chances de morrer em desastres climáticos. Até 2050, as mudanças climáticas provocarão mais 250 mil mortes adicionais por ano decorrentes de desnutrição, malária, diarreia e estresse térmico, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, OMS. Para o fim do século, a estimativa é 2,3°C de aquecimento. Isso significa mais ondas de calor, maior insegurança alimentar e o risco de ultrapassar pontos de não-retorno, como o degelo de geleiras.


Transição energética é segurança geopolítica
Os planos nacionais de clima, NDCs, atuais só devem reduzir cerca de 10% das emissões até 2035, quando o necessário para atingir a meta seria 60%. Isso exige a diminuição da emissão de poluentes de vida curta como o metano, do desmatamento e ampliação do uso de energias renováveis. Muitas empresas se denominam falsamente “net zero”, ação chamada greenwashing.


Crises geopolíticas
O setor da moda é um exemplo, responsável por 8% das emissões globais, mas com 60% das alegações de sustentabilidade classificadas como não comprovadas. A transição energética deve ser acompanhada de investimentos em infraestrutura moderna, como redes elétricas, já que também é uma questão de segurança: três em cada quatro pessoas no mundo vivem em países dependentes da importação de combustíveis fósseis e estão expostas a crises geopolíticas.


Financiamento: justiça climática em jogo
Países em desenvolvimento enfrentam altos custos de empréstimo para projetos de energia limpa, mesmo possuindo grande potencial solar e eólico. A Assembleia Geral da ONU estima que os investimentos globais na área atinjam US$ 3,4 trilhões em 2026, com US$ 2,2 trilhões apenas para energias sustentáveis.
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP30, estabeleceu a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 e lançou o Mutirão Global, iniciativa da presidência brasileira para unir governos, sociedade civil, empresas e cidadãos no enfrentamento às mudanças climáticas. A cooperação internacional é considerada a solução para as barreiras financeiras e tecnológicas. No entanto, os recursos ainda são insuficientes e caros, aumentando o endividamento dos países subdesenvolvidos. Para atingir o objetivo, o financiamento também deve garantir uma transição justa, apoiando trabalhadores, comunidades e permitindo que as nações produtoras de minerais valorizem a sua produção, em vez de apenas exportar matéria-prima.


O que esperar da Cúpula do Clima 2026
E 10 anos após o Acordo de Paris, o secretário-geral da ONU, António Guterres, reúne líderes para discutir três prioridades: acelerar a transição energética, incentivar financiamento e proteger pessoas. Durante a semana, os encontros buscam transformar compromissos já assumidos em ação concreta sobre temas como oceanos, industrialização verde, adaptação e integridade da informação. Os líderes debatem os progressos e ao final do evento, vão definir trabalhos em conjunto para acelerar a transição, fortalecer a segurança energética, promover a justiça climática e proteger as pessoas do aquecimento global.

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