• 14 de setembro de 2026
  • JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
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Cada vez mais intenso, El Niño fortalece furacões no Pacífico

Fenômeno climático ganha força e aumenta a energia disponível para ciclones tropicais; especialistas alertam para uma temporada potencialmente excepcional.O fenômeno El Niño vem se intensificando e elevando a preocupação de meteorologistas em relação à atividade de furacões no Oceano Pacífico. Dados recentes indicam que o evento climático tem 97% de probabilidade de ser classificado como “muito forte” e 75% de chance de alcançar um nível sem precedentes nos registros, segundo projeções divulgadas por centros de monitoramento climático. Além da intensidade do fenômeno, outro fator chama atenção: o Pacífico apresenta atualmente cerca de 50% mais energia ciclônica do que o normal. Essa condição favorece a formação e o fortalecimento de tempestades tropicais, aumentando o potencial para furacões mais intensos e de maior duração.


Mais calor, mais energia para as tempestades


O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam anormalmente mais quentes. O aumento da temperatura do oceano interfere na circulação atmosférica e pode provocar alterações no clima em diferentes partes do planeta. Para os ciclones tropicais, a temperatura do oceano é um dos elementos fundamentais. Águas mais quentes fornecem maior quantidade de calor e umidade para a atmosfera, combustível que pode contribuir para o rápido desenvolvimento das tempestades.Quando as condições atmosféricas também são favoráveis, uma depressão tropical pode ganhar força rapidamente e evoluir para uma tempestade tropical ou furacão.


Pacífico concentra energia acima da média


O nível de energia ciclônica observado no Pacífico é um dos principais sinais de alerta para esta temporada. A estimativa de aproximadamente 50% acima da média indica que existe uma quantidade significativamente maior de energia disponível para alimentar sistemas tropicais. Isso não significa, necessariamente, que todos os sistemas formados se transformarão em furacões extremamente fortes. A intensidade de cada tempestade depende de uma combinação de fatores, como temperatura do oceano, umidade, circulação dos ventos e presença de cisalhamento vertical do vento. Mesmo assim, um oceano mais quente aumenta o potencial para que determinadas tempestades se intensifiquem rapidamente.


Risco de eventos extremos


A possibilidade de o El Niño atingir uma intensidade nunca registrada acrescenta uma preocupação adicional. Fenômenos climáticos extremos podem provocar impactos que vão muito além dos locais diretamente atingidos pelos furacões. Sistemas tropicais intensos podem causar chuvas torrenciais, inundações, deslizamentos de terra, ressacas, ventos destrutivos e interrupções no fornecimento de energia e nos transportes. As consequências também podem ser econômicas. Portos, aeroportos, áreas agrícolas, redes de comunicação e cadeias de abastecimento podem sofrer interrupções durante eventos de grande intensidade.


Fenômeno com efeitos globais


Embora o foco atual esteja na atividade ciclônica do Pacífico, o El Niño é um fenômeno de escala planetária. Alterações na temperatura do Pacífico Equatorial podem modificar padrões de chuva e temperatura em diferentes continentes. Na América do Sul, por exemplo, episódios de El Niño costumam estar associados a mudanças importantes na distribuição das chuvas. Os efeitos, entretanto, variam de acordo com a intensidade e a configuração de cada evento. Por isso, especialistas reforçam que os dados devem ser acompanhados continuamente. Previsões climáticas de longo prazo apresentam margens de incerteza e podem sofrer alterações à medida que novas observações são incorporadas aos modelos.


Monitoramento será essencial


Com a possibilidade de um El Niño excepcionalmente intenso e níveis de energia ciclônica acima do normal no Pacífico, o monitoramento meteorológico ganha ainda mais importância. A combinação de oceanos mais quentes e condições atmosféricas favoráveis pode criar ambientes propícios para tempestades mais intensas. Para as populações das regiões vulneráveis, acompanhar os alertas oficiais e conhecer os protocolos de emergência pode ser decisivo diante de um evento extremo. O cenário atual reforça uma tendência que vem sendo observada pelos cientistas: o comportamento dos oceanos tem papel fundamental na intensidade dos eventos climáticos extremos. À medida que o El Niño evolui, novas medições serão essenciais para determinar se as previsões de uma temporada excepcional de furacões realmente se confirmarão.


Por Amanda Carolina Tostes

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