Brasil é destaque em relatório sobre avanço da restauração da natureza no mundo
  • 30 de outubro de 2026
  • JORNAL DO MEIO AMBIENTE DO ESTADO DE SÃO PAULO
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Brasil é destaque em relatório sobre avanço da restauração da natureza no mundo

<p>Estudo da ONU revela que 252 milh&otilde;es de hectares est&atilde;o sendo restaurados, no maior esfor&ccedil;o j&aacute; visto para salvar a biodiversidade; Brasil tem 3,4 milh&otilde;es de hectares em processo de recupera&ccedil;&atilde;o e est&aacute; conseguindo assegurar o retorno de esp&eacute;cies que estavam amea&ccedil;adas de extin&ccedil;&atilde;o. O mundo est&aacute; realizando, neste momento, o maior esfor&ccedil;o global j&aacute; documentado de restaura&ccedil;&atilde;o da natureza com 252 milh&otilde;es de hectares sendo recuperados em 149 pa&iacute;ses. Al&eacute;m de beneficiar plantas e animais, a iniciativa est&aacute; gerando um milh&atilde;o de empregos verdes.</p>
<p>Mas para alcan&ccedil;ar a meta acordada entre os pa&iacute;ses, de restaurar 1 bilh&atilde;o de hectares at&eacute; 2030, o financiamento precisa quadruplicar e o ritmo das a&ccedil;&otilde;es deve ser mais r&aacute;pido com um foco em ecossistemas de &aacute;gua doce, marinhos e costeiros.</p>
<p><strong>Retorno de on&ccedil;as-pintadas e micos-le&otilde;es-de-cara-dourada no Brasil</strong><br />O Relat&oacute;rio de Progresso da Restaura&ccedil;&atilde;o: O Retorno da Natureza, divulgado nesta quinta-feira, &eacute; a primeira avalia&ccedil;&atilde;o abrangente do progresso dos pa&iacute;ses na recupera&ccedil;&atilde;o da biodiversidade. O documento inclui iniciativas de sucesso no Brasil como a recupera&ccedil;&atilde;o da Mata Atl&acirc;ntica, em parceria com o Paraguai e Argentina. Mais de 300 organiza&ccedil;&otilde;es est&atilde;o restaurando a paisagem, criando corredores ecol&oacute;gicos para esp&eacute;cies amea&ccedil;adas de extin&ccedil;&atilde;o. O projeto, conhecido como Pacto Trinacional da Mata Atl&acirc;ntica, &eacute; reconhecido como uma das 35 Iniciativas de Refer&ecirc;ncia da ONU para a Restaura&ccedil;&atilde;o Mundial e est&aacute; assegurando o retorno de on&ccedil;as-pintadas e micos-le&otilde;es-de-cara-dourada &agrave; Mata Atl&acirc;ntica brasileira. As a&ccedil;&otilde;es j&aacute; est&atilde;o contribuindo para salvar 700 mil hectares de floresta no caminho para restaurar 1 milh&atilde;o at&eacute; 2030. No pa&iacute;s como um todo, os sistemas de sat&eacute;lite e monitoramento indicam que 3,4 milh&otilde;es de hectares est&atilde;o sendo recuperados.</p>
<p><strong>Reconhecimento do papel dos povos ind&iacute;genas</strong><br />O relat&oacute;rio est&aacute; sendo lan&ccedil;ado na metade da D&eacute;cada da Restaura&ccedil;&atilde;o de Ecossistemas, um esfor&ccedil;o global criado pela ONU em 2021, sob lideran&ccedil;a do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e pela Organiza&ccedil;&atilde;o da ONU para Alimenta&ccedil;&atilde;o e Agricultura, FAO, que tamb&eacute;m s&atilde;o respons&aacute;veis pelo relat&oacute;rio. Dentre as fontes de dados utilizadas est&atilde;o os documentos nacionais apresentados pelos pa&iacute;ses no marco da Conven&ccedil;&atilde;o sobre Diversidade Biol&oacute;gica. Apesar da contribui&ccedil;&atilde;o significativa dos Povos Ind&iacute;genas para a gest&atilde;o dos ecossistemas, apenas duas na&ccedil;&otilde;es, Brasil e I&ecirc;men, relataram a exist&ecirc;ncia de &aacute;reas em processo de restaura&ccedil;&atilde;o em territ&oacute;rios ind&iacute;genas em seus relat&oacute;rios nacionais. Os povos ind&iacute;genas administram ou det&ecirc;m direitos de posse sobre pelo menos 3,9 bilh&otilde;es de hectares de terra ao redor do globo, o que representa mais de um quarto da superf&iacute;cie terrestre do planeta. Essas &aacute;reas abrangem cerca de 40% de todas as zonas protegidas e paisagens ecologicamente intactas.</p>
<p><strong>Iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre alcan&ccedil;a US$ 7,8 bilh&otilde;es</strong><br />O Brasil tamb&eacute;m &eacute; reconhecido por liderar a iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre, Tfff, na qual os rendimentos do capital aportado pelos patrocinadores s&atilde;o usados para financiar a manuten&ccedil;&atilde;o e restaura&ccedil;&atilde;o das matas em pa&iacute;ses com florestas tropicais. At&eacute; o encerramento da 30&ordf; Confer&ecirc;ncia da ONU sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas, COP30, realizada em 2025 no Brasil, mais de US$ 6,7 bilh&otilde;es haviam sido prometidos frente a uma meta inicial de US$ 25 bilh&otilde;es. A meta total de capitaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; de US$ 125 bilh&otilde;es. Compromissos recentes, como dos Pa&iacute;ses Baixos, ou Holanda, em 26 de outubro, e do Reino Unido, no m&ecirc;s passado, elevaram a capta&ccedil;&atilde;o para US$ 7,8 bilh&otilde;es. No momento, o mecanismo est&aacute; sendo copresidido pelo Brasil e pela Noruega.</p>
<p><strong>Restaura&ccedil;&atilde;o ajuda a enfrentar os maiores desafios globais</strong><br />O relat&oacute;rio do Unep e da FAO ressalta que restaurar 15% das &aacute;reas priorit&aacute;rias no mundo poderia evitar 60% das extin&ccedil;&otilde;es projetadas de esp&eacute;cies. Tamb&eacute;m poderia absorver grandes quantidades do g&aacute;s di&oacute;xido de carbono, CO&sup2;, que aquece o planeta, uma fun&ccedil;&atilde;o crucial para manter o aquecimento global abaixo de 2&deg;C. Ao mesmo tempo, a agrofloresta, que combina &aacute;rvores com culturas ou gado, poderia melhorar a seguran&ccedil;a alimentar de 1,3 bilh&atilde;o de pessoas. A coordenadora da Divis&atilde;o de Ecossistemas do Pnuma, Natalia Alekseeva, destaca que restaurar ecossistemas degradados est&aacute; entre as formas mais eficazes de enfrentar alguns dos maiores desafios do mundo. Segundo ela, as a&ccedil;&otilde;es de restaura&ccedil;&atilde;o podem reverter a perda de biodiversidade, ajudar as comunidades a se adaptarem &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, produzir alimento suficiente para uma popula&ccedil;&atilde;o global em r&aacute;pido crescimento e garantir meios de subsist&ecirc;ncia.</p>
<p>*Felipe de Carvalho &eacute; jornalista da ONU News</p>

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