COP30: Decisões que podem redefinir o futuro climático do planeta
Por Amanda Carolina Tostes
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, a COP30, acontece em Belém (PA) e promete ser um marco histórico na política ambiental global. Em meio a conflitos geopolíticos e divergências energéticas, a diplomacia climática é posta à prova.
1. Evitar o aquecimento global descontrolado
Segundo o Relatório sobre a Lacuna de Emissões 2025, os compromissos atuais colocam o planeta em uma rota de aquecimento entre 2,3 ºC e 2,5 ºC até o final do século. A meta de limitar o aumento a 1,5 ºC pode ser superada já na próxima década. Em Belém, os países serão pressionados a revisar suas metas nacionais (NDCs) e apresentar planos de corte mais ambiciosos, especialmente nos setores de energia, transporte e indústria, considerados os maiores emissores. “A urgência agora é transformar metas em ação imediata. O tempo para ajustes acabou”, alertam especialistas do Pnuma.
2. Proteger as comunidades mais vulneráveis
A adaptação ganha protagonismo nesta COP. Estimativas indicam que os países em desenvolvimento precisarão de US$ 310 bilhões anuais até 2035 para se protegerem dos impactos climáticos, mas apenas uma pequena parte desse valor está disponível hoje. A expectativa é que a conferência defina uma nova meta global de financiamento para adaptação, com indicadores claros e foco em infraestruturas resilientes e sistemas de alerta precoce.
3. Cumprir a promessa de US$ 1 trilhão
O Brasil e o Azerbaijão propuseram um roteiro para mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, combinando recursos públicos e privados em apoio às nações em desenvolvimento.
O desafio é transformar promessas em fluxos financeiros reais, com reformas nos bancos multilaterais e instrumentos que atraiam capital privado para investimentos sustentáveis.
4. Impulsionar soluções inovadoras
Belém também será palco de iniciativas criativas. A campanha “Beat the Heat” (Vença o Calor) busca promover refrigeração sustentável e cidades mais verdes, enquanto o “Food Waste Breakthrough” pretende reduzir o desperdício de alimentos pela metade em cinco anos, o que pode evitar até 7% das emissões globais de metano. O Brasil apresentará o “Bairro do Mutirão para Cidades, Água e Infraestrutura”, um modelo de design urbano inteligente e circular. Já o Fundo Florestas Tropicais para Sempre promete incentivar financeiramente países que preservam suas florestas, protegendo ecossistemas vitais e comunidades locais.
5. Garantir uma transição justa e inclusiva
A transição energética é inevitável, mas precisa ser socialmente justa. A COP30 deve lançar o Mecanismo de Ação de Belém para uma Transição Justa, com foco em emprego, capacitação e proteção social para trabalhadores de setores de alto carbono. “As pessoas precisam estar no centro das mudanças estruturais”, reforça o Pnuma. O objetivo é que o avanço das energias limpas caminhe com inclusão social e redução das desigualdades.
6. Reviver o espírito do Acordo de Paris
Dez anos após o Acordo de Paris, o mundo reduziu a previsão de aquecimento de 3,5 ºC para 2,5 ºC, um progresso, mas ainda insuficiente. A COP30 é vista como o momento de recuperar o espírito de cooperação e ambição que marcou 2015.